Crônicas de Outro Mundo – “A Montanha da Morte”

Certa vez resolvi ir ver o pôr do sol numa montanha muito bonita e longínqua, sentada naquela grama com o olhar distante e desatento, eu apenas curtia a paisagem e sentia o vento bater em meu rosto. A visão era de um espetáculo de luz e brilho. Assim que o sol se pôs por completo eu já me preparava para ir embora, porém de repente o tempo mudou e percebi que era melhor correr para não ficar presa na montanha, as trilhas que subi eram muitas portanto a descida podia demorar, mas como para descer todo santo ajuda eu estava indo bem rápido tão rápido que escorreguei na lama que a chuva fina e contínua havia criado, sai rolando ladeira abaixo e machuquei minha perna.

Estava escuro eu gritei por ajuda mas não obtive resposta,  a dor que eu sentia era enorme, me encostei numa árvore, a luz da lua não era assim tão forte e na mata fechada eu podia apenas ver através de feches de luz, então ouço um barulho de passos, galhos quebrando no chão e os arvoredos se mexendo, o medo estrala meus olhos numa tentativa desesperada de ver o que vinha em minha direção, de repente vejo um rosto saindo da escuridão, era uma moça de uns 17 anos, olhos grandes e azuis, parecia triste e solitária, ela me oferece ajuda e diz que seu nome é Luísa, eu não estava em posição de recusar nada, então me levantei com dificuldade escorando ainda na árvore e ela apontou a direção de um possível abrigo que ficava bem perto dali.

Ela não me ajudou a andar, só ficava me olhando, chegamos num lugar onde havia um conjunto de pedras enormes, quando eu ja estava embaixo delas podia jurar que na verdade estava numa caverna. Pergunto o que a moça faz ali aquela hora, ela muda de assunto me dizendo que lá era muito perigoso para mim ainda mais sozinha e a noite e me aconselha a ir dormir e voltar a pedir ajuda só pela manhã, eu ate concordo com ela mas indago: – Por que é tão perigoso aqui ? Existem animais de grande porte que podem nos atacar? Ela responde com a melhor das perguntas: – Existe algum animal mais perigoso que o ser humano?

Eu não sabia o que dizer e mesmo antes que pudesse faze-lo ela disse:” – Quer saber? Vou ti contar! Você está na montanha da morte! Diz a lenda que no dia 13 de Abril de 1993 uma turma de jovens veio para esta montanha no intuito de usar drogas e ouvir músicas, uma festinha particular, no meio desses jovens havia uma garota que na realidade não queria estar ali, ela não usava drogas ou mesmo fazia parte da turma, ela estava ali por curiosidade e interesse em um dos rapazes que ali estavam, o problema é que o preço que ela pagou por sua curiosidade foi alto demais.

Exatamente às 03:00 da madrugada daquela fatídica noite o rapaz se aproxima da garota apaixonada, mas ele estava visivelmente alterado e num ato de pura brutalidade abusa da garota que estava no lugar errado, na hora errada, o choque para ela foi tão grande que deixou- a petrificada no chão gelado, com as roupas rasgadas e o pescoço roxo devido a esganação que sofreu. Como ela não se movia e mal respirava, o rapaz pensou tê-la matado, então de forma cruel ele resolveu esconder o corpo da garota, enterrando-a viva.”

Há um silêncio entre nós e depois de alguns segundos eu pergunto: – O que aconteceu depois?  Ela me responde que o culpado pelo crime nunca foi condenado, o corpo da garota nunca foi encontrado e que seu espírito vaga solitário pela montanha em busca de paz. Me sinto triste pela garota e acabo pegando no sono, segundos antes do sol raiar a moça me acorda e diz: – O corpo está ali !

Eu não entendi, então ela aponta para um pequeno espaço que havia entre uma pedra e outra, e me olhando fixamente dentro dos olhos ela simplesmente desaparece, fiquei atônita e assustada, ainda não podia andar direito e voltei a gritar por ajuda, eu só pensava naquela moça, após algumas horas uma equipe de resgate chega e antes de perguntarem se eu estava bem disparo: – A lenda? A lenda da montanha da morte! Vocês conhecem? Eles dizem que sim! Então pergunto: – Como se chamava a garota que morreu aqui? Eles respondem: – Luísa !

montanha da morte

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