Blog – “Meus 10 anos na Música”

É claro que como toda criança eu canto desde pequena, mas aos 16 anos fiz minha primeira apresentação em público e foi a partir daí que considerei a hipótese de ser uma cantora, então percebi que não queria apenas interpretar músicas de outros artistas, eu queria ser uma artista completa e então comecei a escrever minhas próprias canções. Poucas pessoas sabem mas amo dançar e ainda pretendo atuar.

Ouço qualquer tipo de gênero musical que me traga uma letra, uma história bonita e/ou forte, costumo dizer que vim do Rap, sim minha gente, apesar da minha família sempre ter escutado sertanejo de raiz já que os amigos do meu pai tinham uma dupla, a minha primeira memória musical é na verdade o Rap, pra ser específica as canções do “Racionais MC’s”: “Fim de Semana no Parque e Homem na Estrada.”

Eu me lembro de ficar hipnotizada ouvindo – quando meus irmãos Kleber e Fábio colocavam no som do quarto deles- claro que não entendia nem um terço do que aquelas canções significavam mas a voz do Mano Brown já me fascinava e eu no fundo sabia que tinha empatia com o que ele dizia e com o que ele deixava subentendido. Quando nos mudamos para Piumhi minha irmã  Taty sempre dançava junto com suas amigas músicas que tinham coreografias e eu ficava tentando acompanhar e dançar junto. Enfim, cresci, sempre deixando os preconceitos pra trás, aprendi a não julgar nenhum artista seja ele do gênero que for, porque é como sempre digo: Qualquer pessoa que faça um trabalho honesto, sem pisar nem enganar ninguém merece meu respeito!

Se não gosto de algum artista é só não “consumir” aquilo que ele faz não preciso ficar destilando ódio por aí, estamos na era dos “haters”. Eu já ouvi tudo que vocês possam imaginar nos vídeos que faço, já fui xingada de puta e vagabunda só porque na época havia feito um cover acústico de uma música de uma banda de rock famosa junto a minha amiga Thaís Mendonça, fomos muito humilhadas, nos comentários ou nos xingavam de tudo que existe ou nos assediavam sem pudores.

Com o tempo a gente aprende a ignorar mas tem coisas que vão além, se as pessoas assistem seu vídeo e não acham nada de errado com a sua versão elas procuram algo pra criticar, até que “canto com a boca torta demais” já ouvi, ou mesmo que o cover tava bom só faltava eu “parecer” fisicamente com a artista dona da canção.

Se já pensei em desistir? Sim! Hoje sei que sempre vou tocar meu violão nem que seja só em casa, então esse “desistir” se refere a ter uma carreira, dar o sangue todos os dias na tentativa de fazer dar certo, sou muito intensa e o que mais percebo é que estou cansada, saturada de muita coisa, tento não me cobrar tanto mas minha alma grita pela música, ela se inquieta, e aí vou lá deposito tudo de mim em algo que muitas vezes não me traz nenhum retorno.

O que quero fazer, o que me identifico, é falar a verdade, falar sobre o que está acontecendo com o país , com as pessoas , o cotidiano, a Realidade e o Ser Humano são minha fonte de inspiração e ambos me entristecem a cada dia mais, a que ponto chegamos e até onde vamos chegar?

Pessoas ainda vivem na miséria, a violência só aumenta, o preconceito sexual e racial parece não ter fim, nós mulheres lutamos por direitos iguais quase como se não fossemos “seres humanos” a ideia de sermos apenas objetos parece não sair da cabeça dos homens e o pior da cabeça de algumas mulheres também, como compositora ver tudo isso, escrever sobre isso e não ver nada evoluir é uma morte diária. No mundo em que vivemos eu só peço a Deus que me dê mais 10 anos de vida, estar viva tem sido minha luta e minha maior vitória.

Kátia Marques

 

DEIXE UM COMENTÁRIO